Mitologia Mesopotâmica
Os mitos mais antigos já escritos, gravados em tábuas de argila.
- Povo: Sumérios, acadianos, babilônios e assírios
- Onde: Entre os rios Tigre e Eufrates (atual Iraque e partes da Síria e da Turquia)
- Quando: c. 3500 a.C. – séc. I a.C.
- Principais fontes: Tábuas em escrita cuneiforme: Epopeia de Gilgamesh, Enuma Elish, A Descida de Inanna e Atrahasis
Quem contava essas histórias
A Mesopotâmia é chamada de berço da civilização: ali surgiram algumas das primeiras cidades, como Uruk e Ur, a escrita cuneiforme, por volta de 3200 a.C., e códigos de leis como o de Hamurabi. Cada cidade tinha seu deus protetor, que morava num templo no alto de um zigurate, uma enorme pirâmide de degraus.
Os mesopotâmicos acreditavam que os humanos tinham sido criados para trabalhar no lugar dos deuses. A vida após a morte era sombria para quase todos, por isso valorizavam a vida, a amizade e a fama. Muitos deuses têm dois nomes, um sumério e outro acadiano, como Inanna e Ishtar ou Utu e Shamash.
Como o mundo começou: Enuma Elish: Marduk e Tiamat
No princípio, Apsu, as águas doces, e Tiamat, as águas salgadas, se misturavam e geraram os primeiros deuses. Os deuses jovens faziam tanto barulho que Apsu decidiu destruí-los, mas o sábio Ea o matou primeiro. Furiosa, Tiamat criou onze monstros, como o Mušhuššu, o Bašmu e o Kusarikku, e entregou a Tábua dos Destinos ao seu general, Kingu.
Só o jovem Marduk, filho de Ea, aceitou enfrentá-la, desde que se tornasse rei dos deuses. Ele prendeu Tiamat numa rede, encheu sua boca de ventos e a atingiu com uma flecha. Cortou seu corpo ao meio: uma metade virou o céu e a outra a terra, e de seus olhos nasceram o Tigre e o Eufrates. Do sangue de Kingu, os deuses criaram os humanos.
Os mundos e lugares sagrados
- An: O céu, reino de Anu, o pai dos deuses.
- Ki: A terra, onde ficam as cidades e os templos dos deuses protetores.
- Abzu: O oceano de água doce sob a terra, morada do sábio Enki, chamado Ea pelos acadianos.
- Kur ou Irkalla: A "terra sem retorno" dos mortos, com sete portões, governada pela rainha Ereshkigal.
- Dilmun: Uma terra pura e sem doenças, onde vive Utnapishtim, o único humano a ganhar a imortalidade.
Grandes deuses
- Anu: O Céu, pai e rei antigo dos deuses
- Marduk: Protetor da Babilônia, vencedor de Tiamat
- Inanna/Ishtar: Amor e guerra, a estrela da manhã
- Utu/Shamash: Sol e justiça; entregou as leis a Hamurabi
- Nanna/Sin: A Lua, protetor da cidade de Ur
- Ninhursag: Mãe das montanhas e dos seres vivos
Grandes histórias
A Epopeia de Gilgamesh
Gilgamesh, rei de Uruk, era dois terços deus e um terço humano, e oprimia seu povo. Os deuses criaram Enkidu para enfrentá-lo, mas os dois viraram melhores amigos. Juntos mataram Humbaba, guardião da Floresta de Cedros, e o Touro do Céu. Quando Enkidu morreu, Gilgamesh partiu em busca da imortalidade, achou uma planta da juventude e a perdeu para uma serpente. Voltou entendendo que seu legado eram as muralhas de Uruk.
A Descida de Inanna
Inanna desceu ao mundo dos mortos, reino de sua irmã Ereshkigal. Em cada um dos sete portões teve de deixar uma joia ou peça de roupa, até chegar sem nada diante da irmã, que a matou. O sábio Enki enviou dois seres para trazê-la de volta, mas a regra exigia um substituto. Inanna escolheu Dumuzi, seu marido, que não a pranteou. Depois ele passou a dividir o ano no submundo com a irmã, ciclo que explica as estações.
O Dilúvio
Incomodados com o barulho dos humanos, os deuses decidiram afogar o mundo. O sábio Ea avisou em segredo Utnapishtim, que construiu um grande barco e salvou sua família e os animais. Depois de sete dias de tempestade, ele soltou uma pomba, uma andorinha e um corvo para procurar terra firme. Esta história é mais antiga que a de Noé e muito parecida com ela.
Divindades da mitologia mesopotâmica
- Anu (Lendária)
- Inanna/Ishtar (Épica)
- Nanna/Sin (Épica)
- Ninhursag (Épica)
- Utu/Shamash (Épica)
- Adad (Rara)
- Dumuzi (Rara)
- Gula (Rara)
- Marduk (Rara)
- Nabu (Rara)
- Ninsun (Rara)
- Nisaba (Rara)
Criaturas da mitologia mesopotâmica
- Mušhuššu (Lendária)
- Humbaba (Épica)
- Lamashtu (Épica)
- Touro do Céu (Épica)
- Anzû (Rara)
- Bašmu (Rara)
- Lamassu (Rara)
- Asag (Incomum)
- Gallu (Incomum)
- Kusarikku (Incomum)
- Apkallu (Comum)
- Filhote de Anzu (Comum)
- Lamassu Filhote (Comum)
- Ugallu (Comum)
- Utukku (Comum)
Curiosidades
- A hora de 60 minutos e o círculo de 360 graus vêm da matemática de base 60 dos babilônios.
- Os doze signos do zodíaco nasceram da astronomia babilônica.
- A Epopeia de Gilgamesh é uma das obras literárias mais antigas que se conhecem, com mais de 4 mil anos.
- O Portão de Ishtar, da Babilônia, decorado com Mušhuššus e touros em tijolos azuis, foi remontado no Museu Pergamon, em Berlim.
O legado hoje
Escrita, leis, astronomia e matemática da Mesopotâmia moldaram o mundo antigo. Os lamassus que guardavam os palácios assírios estão hoje no Louvre e no Museu Britânico, e histórias como o Dilúvio e a Torre de Babel, inspirada nos zigurates, ecoam nessas tradições.