Mitologia Egípcia
O Sol que atravessa o mundo dos mortos toda noite e a balança que pesa o coração.
- Povo: Antigos egípcios
- Onde: Vale do rio Nilo, no nordeste da África
- Quando: c. 3100 a.C. – séc. IV d.C.
- Principais fontes: Textos das Pirâmides, Textos dos Sarcófagos, o Livro dos Mortos e as inscrições dos templos
Quem contava essas histórias
O Egito vivia do Nilo, que transbordava todo ano e deixava a terra fértil. Para os egípcios, o mais importante era Maat: a ordem, a verdade e o equilíbrio do universo, que precisavam ser defendidos todos os dias contra o caos. O faraó era visto como filho de Rá e Hórus vivo na Terra, responsável por manter essa ordem.
Muitos deuses aparecem com corpo humano e cabeça de animal, mostrando suas qualidades: o falcão de Hórus enxerga longe, o chacal de Anúbis vigia os túmulos. A vida após a morte era uma preocupação central, e por isso eles mumificavam os mortos e construíam pirâmides e tumbas cheias de tesouros e orações.
Como o mundo começou: Do oceano escuro ao primeiro monte
Antes de tudo havia Nun, um oceano escuro, frio e sem forma. Das águas ergueu-se o primeiro monte de terra, e sobre ele surgiu Atum, o criador, que gerou sozinho Shu, o ar, e Tefnut, a umidade. Os dois tiveram Geb, a terra, e Nut, o céu, que viviam tão abraçados que nada cabia entre eles, até que Shu os separou, erguendo o céu.
Nut deu à luz Osíris, Ísis, Set e Néftis, e juntos esses nove deuses formam a Enéade de Heliópolis. Outras cidades contavam versões diferentes: em Mênfis, o deus Ptah criou o mundo pensando com o coração e falando com a língua.
Os mundos e lugares sagrados
- O céu de Nut: A deusa do céu se arqueia sobre a Terra. Ela engole o Sol todo fim de tarde e o dá à luz de novo a cada manhã.
- A barca solar: Rá atravessa o céu numa barca durante o dia, levando luz ao mundo.
- Duat: O mundo dos mortos, que a barca do Sol percorre à noite, enfrentando a serpente Apófis.
- Salão das Duas Verdades: Onde o coração de cada morto é pesado na balança contra a pena de Maat, diante de Osíris.
- Campo de Juncos: O paraíso dos justos, uma versão perfeita do Egito com colheitas que nunca falham.
Grandes deuses
- Rá: O Sol, rei dos deuses, que navega na barca solar
- Osíris: Senhor dos mortos e da ressurreição
- Hórus: Deus do céu e da realeza, com olhos de Sol e Lua
- Anúbis: Guia dos mortos e protetor dos embalsamadores
- Set: Deserto, tempestades e caos; o irmão invejoso
- Thoth: Escrita, sabedoria e magia; o escriba dos deuses
Grandes histórias
Osíris, Ísis e Set
Osíris era um rei bom e amado. Seu irmão Set, invejoso, o prendeu num caixão e o jogou no Nilo; depois despedaçou o corpo e espalhou os pedaços pelo Egito. Ísis, esposa de Osíris, e sua irmã Néftis procuraram e reuniram cada parte, e Anúbis o embalsamou: foi a primeira múmia. Osíris voltou à vida, mas como rei do mundo dos mortos.
A disputa pelo trono
Hórus, filho de Osíris e Ísis, cresceu escondido nos pântanos e desafiou Set pelo trono do Egito. Os dois lutaram por oitenta anos, com corridas, transformações e duelos. Numa das batalhas, Set arrancou um olho de Hórus, que foi curado por magia. Os deuses finalmente deram a coroa a Hórus, e o "Olho de Hórus" virou um amuleto de proteção e cura.
A pesagem do coração
Depois da morte, a alma atravessava o Duat e chegava ao tribunal de Osíris. Anúbis colocava o coração do morto num prato da balança e a pena de Maat no outro, enquanto Thoth anotava o resultado. Quem tinha vivido com justiça seguia para o Campo de Juncos. Se o coração pesasse mais, cheio de maldades, a devoradora Ammit o engolia, e a alma deixava de existir.
Divindades da mitologia egípcia
- Osíris (Lendária)
- Rá (Lendária)
- Amon (Épica)
- Anúbis (Épica)
- Hórus (Épica)
- Maat (Épica)
- Set (Épica)
- Thoth (Épica)
- Aton (Rara)
- Atum (Rara)
- Bastet (Rara)
- Geb (Rara)
- Khnum (Rara)
- Khonsu (Rara)
- Néftis (Rara)
- Neith (Rara)
- Nut (Rara)
- Seshat (Rara)
- Shu (Rara)
- Sobek (Rara)
- Tefnut (Rara)
Criaturas da mitologia egípcia
- Ammit (Lendária)
- Apófis (Apep) (Lendária)
- Bennu (Épica)
- Esfinge (Épica)
- Ouroboros (Épica)
- Aker (Rara)
- Mafdet (Rara)
- Sha (Rara)
- Akhekh (Incomum)
- Mehen (Incomum)
- Serpopardo (Incomum)
- Ba (Comum)
- Chacal Sagrado (Comum)
- Escaravelho de Khepri (Comum)
- Gato de Bastet (Comum)
- Medjed (Comum)
Curiosidades
- Os gatos eram sagrados para a deusa Bastet. Ferir um gato podia ser punido com a morte, e muitos eram mumificados como os humanos.
- Os hieróglifos só voltaram a ser lidos em 1822, quando Champollion os decifrou graças à Pedra de Roseta.
- A cada noite, Rá enfrentava Apófis no Duat. Os egípcios acreditavam que os eclipses aconteciam quando a serpente quase engolia o Sol.
- O ankh, a cruz com uma alça no topo, significa "vida" e aparece na mão de quase todos os deuses.
O legado hoje
Pirâmides, múmias e hieróglifos fascinam o mundo até hoje e lotam museus do Cairo a Paris. Obeliscos egípcios enfeitam praças em Roma, Paris, Londres e Nova York, e símbolos como o ankh e o Olho de Hórus continuam populares em joias e tatuagens.