Mitologia Asteca
Cinco sóis, uma cidade sobre o lago e deuses que se sacrificaram pelo mundo.
- Povo: Mexicas (astecas) e outros povos nahuas
- Onde: Vale do México, no centro do México atual
- Quando: c. 1300 – 1521 (de Tenochtitlan à conquista espanhola)
- Principais fontes: Códices como o Borgia e o Florentino (Bernardino de Sahagún), a Lenda dos Sóis e relatos registrados após a conquista
Quem contava essas histórias
Os mexicas construíram Tenochtitlan sobre uma ilha no lago Texcoco, uma das maiores cidades do mundo em sua época, com canais, jardins flutuantes e o Templo Mayor no centro. Eles viam o mundo como algo frágil: os deuses tinham se sacrificado para criá-lo, e os humanos precisavam retribuir com oferendas, inclusive de sangue, para que o Sol continuasse a nascer.
O tempo era contado em dois calendários entrelaçados, um sagrado de 260 dias e um solar de 365. A cada 52 anos, quando os dois coincidiam, todos os fogos eram apagados e uma nova chama era acesa no alto de uma montanha para garantir mais um ciclo do mundo.
Como o mundo começou: A Lenda dos Cinco Sóis
O mundo já foi criado e destruído quatro vezes. A primeira era acabou devorada por jaguares, a segunda varrida por furacões, a terceira queimada por uma chuva de fogo e a quarta afogada num dilúvio. Para a quinta era, os deuses se reuniram em Teotihuacan e decidiram que um deles teria de se jogar numa fogueira para virar o novo Sol.
O humilde Nanahuatzin se lançou primeiro e virou o Sol; o orgulhoso Tecciztecatl hesitou, pulou depois e virou a Lua. Em seguida, Quetzalcóatl desceu ao Mictlán para buscar os ossos dos humanos das eras passadas, sangrou sobre eles e criou a humanidade atual. Segundo a profecia, este quinto Sol acabará em terremotos.
Os mundos e lugares sagrados
- Os treze céus: Camadas sobrepostas de céu; no topo, Omeyocan, a morada do casal criador Ometéotl.
- Tlalticpac: A superfície da Terra, feita do corpo do monstro Tlaltecuhtli.
- Mictlán: O mundo dos mortos, com nove níveis, que a alma leva quatro anos para atravessar com seu cão guia.
- Tlalocan: O paraíso verde de Tláloc, para quem morria afogado ou atingido por raios.
- A casa do Sol: Os guerreiros mortos e as mulheres mortas no parto acompanhavam o Sol em sua jornada pelo céu.
Grandes deuses
- Quetzalcoatl: A Serpente Emplumada: vento, sabedoria e civilização
- Tezcatlipoca: O Espelho Fumegante: noite, magia e destino
- Tlaloc: Chuva e raios, que fazem o milho crescer
- Tonatiuh: O Sol do quinto e atual mundo
- Mictlantecuhtli: Senhor do Mictlán, o mundo dos mortos
- Coatlicue: Mãe dos deuses, com saia de serpentes
Grandes histórias
O nascimento de Huitzilopochtli
Coatlicue varria o templo no Monte Coatepec quando uma bola de penas caiu do céu; ela a guardou junto ao corpo e ficou grávida. Sua filha Coyolxauhqui e os quatrocentos irmãos acharam aquilo uma desonra e subiram o monte para matá-la. Mas Huitzilopochtli nasceu já armado com a serpente de fogo Xiuhcoatl, derrotou a irmã, cuja cabeça virou a Lua, e espalhou os irmãos pelo céu como estrelas.
A águia sobre o cacto
Huitzilopochtli mandou os mexicas caminharem até encontrar uma águia pousada sobre um cacto. Depois de anos de viagem, eles a viram numa ilhota do lago Texcoco e ali fundaram Tenochtitlan, em 1325. Essa cena, com uma serpente no bico da águia, está hoje no centro da bandeira do México.
A partida de Quetzalcóatl
Quetzalcóatl governava a cidade de Tula como um rei sábio. Seu rival Tezcatlipoca lhe mostrou um espelho em que ele se viu velho e o fez beber pulque até perder o controle. Envergonhado, Quetzalcóatl deixou a cidade e partiu para o leste, pelo mar, numa jangada de serpentes. Algumas versões dizem que ele virou a estrela da manhã, o planeta Vênus.
Divindades da mitologia asteca
- Quetzalcoatl (Lendária)
- Tezcatlipoca (Lendária)
- Chalchiuhtlicue (Épica)
- Coatlicue (Épica)
- Mictlantecuhtli (Épica)
- Tlaloc (Épica)
- Tonatiuh (Épica)
- Xipe Tótec (Épica)
- Centeotl (Rara)
- Chantico (Rara)
- Chicomecoatl (Rara)
- Coyolxauhqui (Rara)
- Ehécatl (Rara)
- Huehuecóyotl (Rara)
- Mayahuel (Rara)
- Mictecacíhuatl (Rara)
- Mixcoatl (Rara)
- Ometéotl (Rara)
- Tlazolteotl (Rara)
- Xochipilli (Rara)
- Xochiquetzal (Rara)
Criaturas da mitologia asteca
- Cipactli (Lendária)
- Tlaltecuhtli (Lendária)
- Quinametzin (Épica)
- Tzitzimime (Épica)
- Xiuhcoatl (Épica)
- Ahuizotl (Rara)
- Mazacoatl (Rara)
- Tlacatecolotl (Rara)
- Cihuateteo (Incomum)
- Ehecatotontin (Incomum)
- Tlahuelpuchi (Incomum)
- Chaneques (Comum)
- Colibri de Huitzilopochtli (Comum)
- Guerreiro Jaguar (Comum)
- Nahual (Comum)
- Xoloitzcuintle (Comum)
Curiosidades
- Português e espanhol herdaram do náuatle, a língua dos astecas, palavras como chocolate, tomate, abacate e chiclete.
- O cacau era tão valioso que suas sementes serviam de moeda, e o chocolate amargo era bebida de nobres e guerreiros.
- A famosa Pedra do Sol, de 24 toneladas, representa as cinco eras do mundo em volta de um rosto central.
- O Dia dos Mortos mexicano mistura tradições indígenas, como a deusa Mictecacíhuatl, com o calendário católico.
O legado hoje
O Templo Mayor foi redescoberto no centro da Cidade do México no fim dos anos 1970, depois que operários encontraram a enorme pedra de Coyolxauhqui. A bandeira do México, o Dia dos Mortos e o xoloitzcuintle, o cão sem pelos que ainda existe, mantêm essa herança presente.